meio-ambiente01 de abril de 2026 · 17:06
Governo do DF cancela transferência da Serrinha do Paranoá para o BRB e cria parque ambiental
Governo do DF remove Serrinha do Paranoá da lista de bens para capitalização do BRB e anuncia criação de parque ambiental na área de 716 hectares.
Redação01 de abril de 202617:06meio-ambiente
O Distrito Federal cancelou nesta quarta-feira (1º) a inclusão da Serrinha do Paranoá entre os imóveis destinados à capitalização do Banco de Brasília. A vice-governadora Celina Leão anunciou que os 716 hectares da área serão convertidos em Parque de Preservação Ambiental.
## Importância hídrica da região
A Serrinha do Paranoá concentra mais de 100 nascentes que contribuem diretamente para o abastecimento do Lago Paranoá. Conforme levantamento da Secretaria de Meio Ambiente, aproximadamente 15% do volume hídrico que alimenta o principal manancial da capital tem origem nesta região.
A medida encerra uma discussão que gerou tensão entre governo e órgãos de controle desde dezembro. O terreno havia sido incluído no pacote de bens públicos para fortalecer o patrimônio do BRB, que necessita de R$ 500 milhões para atender exigências do Banco Central sobre reservas mínimas.
"A preservação da Serrinha do Paranoá é fundamental para garantir a segurança hídrica do DF. Decidimos pela criação do parque para proteger esse patrimônio natural", afirmou Celina Leão durante evento no Recanto das Emas.
## Resistência de órgãos fiscalizadores
O Tribunal de Contas do Distrito Federal havia questionado os parâmetros utilizados para avaliar os imóveis públicos no plano de recuperação do banco. Paralelamente, o Ministério Público manifestou inquietações sobre possíveis danos ambientais decorrentes da transferência.
Segundo o hidrólogo Roberto Santos, da Universidade de Brasília, a mudança reflete uma decisão tecnicamente acertada. "A Serrinha do Paranoá funciona como uma esponja natural que regula o fluxo hídrico do Paranoá. Sua preservação é estratégica para a sustentabilidade hídrica de Brasília", pontua o especialista.
O Observatório DF, que acompanhou as discussões desde o início, considera a reversão um exemplo de como a pressão social organizada pode influenciar políticas públicas. "A sociedade civil demonstrou que é possível reverter decisões quando há mobilização qualificada", registra a organização.
## Busca por alternativas patrimoniais
A exclusão da Serrinha do Paranoá obriga o governo a identificar outros ativos para completar a capitalização do BRB. A lista atual contempla propriedades em locais com menor relevância ambiental, incluindo lotes no Setor de Indústria e Abastecimento e terrenos na Estrutural.
Paulo Henrique Costa, presidente do BRB, confirmou que a instituição procurará substitutos sem afetar o calendário de recuperação financeira. A definição das novas áreas deverá ser apresentada ao TCDF nas próximas semanas.
## Tramitação da unidade de conservação
A criação oficial do Parque de Preservação Ambiental ainda requer aprovação dos deputados distritais e elaboração de estudos técnicos específicos. Mas como será medida a eficácia dessa decisão? Especialistas projetam que o processo legal e ambiental para estabelecer a unidade de conservação demandará entre 8 e 12 meses.
A transformação da Serrinha do Paranoá em área protegida marca uma inflexão na gestão de recursos hídricos do DF. Os próximos relatórios trimestrais da Caesb sobre a qualidade da água do Lago Paranoá servirão como parâmetro para avaliar os benefícios concretos da preservação deste ecossistema estratégico para o abastecimento da capital federal.
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Redação
Equipe Editorial
Equipe de jornalismo.
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