O supervisor do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, confirmou nesta quarta-feira (1º) que o órgão não possui cronograma definido para implementar a declaração de Imposto de Renda totalmente automática. A proposta foi apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. "A demanda chegou para nós ontem", disse Fonseca, referindo-se à terça-feira anterior. "Temos ainda que avaliar o que falta e traçar um caminho", acrescentou o supervisor. ## Modelo proposto elimina preenchimento manual A nova modalidade dispensaria os contribuintes de inserir qualquer informação na declaração de Imposto de Renda. O processo se restringiria apenas à validação dos dados já incorporados pela própria Receita Federal no documento. Esta abordagem difere do sistema atual de declaração pré-preenchida. O modelo em vigor contempla apenas parte das informações dos contribuintes, exigindo ainda a inclusão manual de diversos dados. ## Declaração parcial atende 60% dos declarantes As estimativas do Fisco indicam que a declaração pré-preenchida deve alcançar 60% dos contribuintes em 2024. O mecanismo carrega automaticamente dados sobre rendimentos, deduções, patrimônio e obrigações financeiras. O acesso ao sistema requer conta gov.br com níveis prata ou ouro. Contribuintes que delegam a elaboração da declaração podem usar o portal "Meu Imposto de Renda" para autorizar o acesso de contadores. Segundo a Receita Federal, o desenvolvimento representa "um caminho natural e gradual da evolução deste modelo". O órgão amplia continuamente a captação de informações diretas das fontes pagadoras e registros patrimoniais. ## Mais de 160 verificações automáticas O sistema atual da Receita Federal emprega mais de 160 filtros de checagem na declaração de Imposto de Renda. As verificações abrangem desde dados pessoais básicos até movimentações financeiras complexas. Entre as informações monitoradas constam transações PIX superiores a R$ 2 mil mensais e pagamentos em débito e cartão de crédito no mesmo valor. O controle se estende a aluguéis, gastos médicos e diversos tipos de investimentos. O acompanhamento inclui ainda automóveis, imóveis, previdência complementar e despesas educacionais. Contribuições beneficentes e gastos com empregados domésticos também integram o monitoramento fiscal. ## Desafios técnicos para implementação Qual seria o impacto real da automatização completa no cotidiano dos contribuintes? A questão central envolve a capacidade técnica da Receita Federal de integrar consistentemente todas as fontes de dados disponíveis. Especialistas em tributação observam que a proposta exigirá coordenação entre múltiplas bases de dados. A eficiência dependerá da qualidade das informações fornecidas pelas instituições financeiras e demais fontes. O modelo atual já demonstra limitações. Muitos contribuintes precisam corrigir dados incorretos ou incluir informações ausentes na declaração pré-preenchida, segundo levantamentos do próprio Fisco. ## Expectativas e incertezas A Receita Federal não informou prazo para conclusão dos estudos técnicos. O órgão precisa avaliar os recursos necessários e os ajustes nos sistemas informatizados antes de definir cronograma. A implementação gradual pode começar por perfis específicos de contribuintes. Pessoas físicas com movimentação financeira mais simples teriam prioridade no modelo automatizado de Imposto de Renda. No entanto, casos complexos ainda demandariam intervenção manual. Contribuintes com múltiplas fontes de renda ou operações atípicas continuariam usando o sistema tradicional por tempo indeterminado. A efetividade da proposta ministerial será mensurada pela redução concreta do tempo dedicado pelos contribuintes à elaboração da declaração. O sucesso também dependerá da diminuição dos erros que resultam em retenção na malha fina fiscal, indicador que ainda demanda acompanhamento nos próximos exercícios.