Francisco Chico Lopes falece aos 78 anos no Rio de Janeiro

O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes morreu na quinta-feira (7) no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro. Francisco Chico Lopes, como era conhecido, ocupou a presidência interina do Banco Central em 1999 durante período crítico da economia brasileira.

A família anunciou o falecimento por meio de comunicado oficial divulgado na sexta-feira (8). O hospital não revelou as causas da morte do economista de 78 anos.

Período turbulento na presidência do BC

Francisco Chico Lopes dirigiu o Banco Central entre janeiro e fevereiro de 1999. O período coincidiu com graves turbulências no mercado cambial brasileiro. A gestão enfrentou a transição do câmbio administrado para o regime de câmbio flutuante.

Essa mudança representou transformação fundamental na política econômica nacional. O país abandonou a política de bandas cambiais adotada desde o Plano Real. A decisão marcou nova fase da estabilização monetária brasileira.

Formação acadêmica sólida e carreira diversificada

Graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Francisco Chico Lopes construiu carreira acadêmica respeitada. Obteve mestrado na Fundação Getulio Vargas e doutorado em Harvard. Lecionou na PUC-Rio e na Universidade de Brasília.

O economista fundou a consultoria Macrométrica e trabalhou no Ministério da Fazenda em 1987. No Banco Central, exerceu função de diretor entre 1995 e 1998. Posteriormente assumiu a presidência interina da instituição.

Criação do Copom consolida legado técnico

A principal contribuição de Francisco Chico Lopes foi estabelecer o Comitê de Política Monetária. O Copom trouxe transparência e previsibilidade às decisões sobre a taxa Selic. O economista defendia que era necessário criar ritual formal para definir juros.

Segundo suas declarações, as reuniões para determinar a taxa deveriam ser gravadas. O Banco Central reconheceu em nota oficial a dedicação de décadas ao combate à inflação crônica. A instituição destacou sua contribuição para a estabilização econômica do país.

Controvérsia dos bancos Marka e FonteCidam gera questionamentos

A gestão de Francisco Chico Lopes enfrentou polêmica operação de socorro aos bancos Marka e FonteCidam. As instituições financeiras apresentavam dificuldades relacionadas à cotação do dólar. A operação causou prejuízos ao Banco Central e motivou investigação parlamentar.

A CPI do Sistema Financeiro apurou os fatos relacionados ao episódio. O economista sustentou a legalidade das medidas adotadas. Justificou as ações como tentativa de prevenir crise financeira de maior amplitude. Sua gestão terminou em março de 1999 com a posse de Armínio Fraga.

Participação em debates econômicos históricos

Francisco Chico Lopes participou ativamente das discussões sobre planos anti-inflacionários. Contribuiu para debates dos planos Cruzado e Bresser nas décadas de 1980 e 1990. Sua atuação ajudou na consolidação do Real como moeda estável.

Em 2019, o Banco Central publicou depoimento autobiográfico detalhando sua trajetória profissional. O documento registra sua visão sobre momentos decisivos da economia brasileira. Qual seria hoje o cenário monetário sem suas contribuições técnicas?

Ceremônia de despedida e família

O velório de Francisco Chico Lopes será realizado no sábado (9) no Cemitério do Caju. A cerimônia começará às 13h com cremação prevista para às 16h. O economista deixa a esposa Ciça Pugliese, com quem manteve matrimônio por mais de quatro décadas.

Também deixa três filhos e sete netos como legado familiar. A família não divulgou detalhes adicionais sobre a ceremônia. O velório será aberto para colegas e admiradores prestarem homenagens.

A morte de Francisco Chico Lopes encerra trajetória de figura central na moderna política monetária brasileira. Sua contribuição técnica para o controle inflacionário permanece como marco institucional. As gerações futuras de economistas encontrarão em seu trabalho referência duradoura para políticas públicas eficazes.